No dia 14 de agosto de 2009, completaram-se exatos 8 anos que Ruy Carlos Gonzalez foi privado da convivência familiar, social, profissional e política. Vítima de uma trama política/policial/judicial. O pesadelo começou ao ser acordado por bandidos em sua casa fazendo-o de refém (haviam acabado de assaltar a agência do banco Banespa, no centro de Guarujá) e a chegada da polícia. Levado para a delegacia, Ruy passou a ser considerado o mentor intelectual do assalto, chefe da quadrilha. O complô estava em andamento...
Naquela mesma noite, o delegado titular na época, Milson Sérgio Calves declara à Agência Folha, que a esposa do gerente do banco, Maria Fernanda (mantida como refém pelos bandidos), disse ter ouvido dos integrantes da quadrilha referências à casa do ex-prefeito. Essa acusação se desfez no dia 17 de outubro, quando em juízo, em depoimento de 13 páginas (folhas do processo 1.1152 a 1.164), não cita nada que possa incriminar o ex-prefeito. Em 24 de agosto, o juíz Guilherme de Macedo Soares indeferiu o pedido de liberdade provisória de Ruy Gonzalez, detido nessa época no complexo do Carandiru.
O restante do inquérito policial seguiu e exemplarmente concluido em menos de 16 dias. As perícias da casa e dos veículos não apontam nenhuma ligação do ex-prefeito com o bando somam-se a isso as falhas no trabalho investigativo, tal como a metralhadora encontrada no la-rápido depois do carro apreendido ter sido liberado pela polícia e a não prisão em flagrante de Samuel Levi Gutierrez (genro de Ruy). No dia do crime ele foi ouvido como testemunha por decisão policial. Até hoje permanece foragido. Em tempo recorde, no dia 1º de setembro os promotores de justiça denunciam Ruy e os integrantes da quadrilha por três sequestros (gerente, esposa e filho), formação de quadrilha, tentativa de latrocínio (uma policial foi ferida no braço) e dois roubos qualificados ( a agência bancária e um carro para fuga). Em 21 de setembro, o ex-prefeito é inocentado pelos oito réus ao deporem ao juíz no Fórum de Guarujá. A imprensa noticia o fato com grande destaque e o juíz determina que o processo siga em segredo de justiça, impedindo que os depoimentos de outras testemunhas cheguem ao público. As testemunhas de defesa, Hélio Spadari, Maria Elisabete, Dream Diana Rosa Petrich e Maria Cristina Goulart de Faria, confirmaram a participação de todos mais o ex-prefeito em um jogo de cartas que durou das 20:30 h. do dia 13 a aproximadamente as 3:00 h. do dia 14. O jardineiro, Adilson Miguel Pereira também depôs e confirmou que durante a invasão da casa pelos bandidos, Ruy e a esposa dormiam e que os únicos que andavam livremente, sem estarem sob a mira das armas eram Paulo e Samuel Gutierrez (pai e filho, este último, genro de Ruy). Três investigadores do Depatri (Delegacia de investigação de roubo a banco), Hélio Perillo, DelécioMariano Pereira e Jprge Amauri Garrara neto, também depuseram em favor do ex-prefeito. Eles chegaram a essa conclusão depois de promoverem um levantamento denominado Parceria Localizada, para saber o perfil da quadrilha e identificarem o mentor intelectual e lider da quadrilha. Ao proferir a sentença em 4 de maio de 2002, o juíz desconsiderou todos os depoimentos de defesa. Em relação aos réus alegou que geralmente os integrantes de quadrilhas poupam o lider. Quanto ao depoimento dos jogadores de cartas e jardineiro, considerou-os álibi forjado. Porque não foram processados por falso testemunho já que eram mentirosos instruidos ? O magistrado também desconsiderou as conclusões técnicas dos investigadores do Depatri.
A acusação. O tenente Fontes, a principal testemunha da acusação nunca poderia ter afirmado que "havia um clima de tranquilidade" dentro da casa, pois quando Ruy foi rendido ele estava em uma casa vizinha. Durante o transcorrer do processo, esse mesmo tenente foi acusado de latrocínio e no momento está preso aguardando julgamento. O depoimento da policial Fabíola Pereira Gaspar, alvejada no braço, teve efeito bombástico ao afirmar que Paulo Gutierrez estava na agência bancária com uma sacola recolhendo o dinheiro dos caixas. Diante do depoimento de seus colegas de guarnição e do chefe dos caixas, que apontaram o verdadeiro bandido executando essa função, ela foi desmentida, porém o estrago estava feito, o objetivo era levantar mais uma infãmia. Paulo Gutierrez, pai do genro de Ruy assaltando o banco e posteriromente preso na casa de Ruy, justificando assim a participação do ex-prefeito.
O caso Hortolândia - Outro fato que contribuiu como "forte indício" para a condenação de Ruy foi a repercussão na mídia do caso Hortolândia; A filha de Ruy, Tami Marcela Gonzalez, alugou uma casa para morar com seu namorado em Hortolândia, posteriormente a casa foi investigada por ter abrigado uma refém em suposto sequestro, por conta disso o juíz do caso banespa, chamou os Gonzalez de "família de roubadores de banco e sequestradores". Tami foi absolvida, a pedido da propria promotoria de justiça e nenhuma palavra dita contra Ruy em todo o processo. Mesmo sem provas materiais, periciais, telefonicas, documentais ou testemunhais de que tenha arquitetado, testemunhado, planejado, dado guarida ou estruturado a operação, Ruy Gonzalez foi condenado a 57 anos de prisão, a imputação do crime se deu sobre indícios não comprovados e suposições.
Calvário - A pena começou ser cumprida no C.O.C. (Centro de observações criminolóigcas) em São Paulo, onde o nível intelectual e cultural dos presos é diferenciado da massa carcerária. No hospital carcerário de Tremenbé trabalhou na lavanderia, mas em função de denúncia anônima de que seria resgatado, foi punido com a transferência para a penitenciária de Tremenbé, no sistema RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) onde permanecia ttrancado por 23 horas diárias em um cubículo de 6 m2, incomunicável (sem culpa) de março a setembro de 2003, depois disso mais três transferências para os presídios de Avaré, Itaí e Osvaldo Cruz. Em Itaí novas perpectivas surgiram, casou-se na Igreja Evangélica, com sua namorada Maria Elisabete, que tem permanecido ao seu lado o tempo todo, apesar da adversidade, em Itaí a juíza de execuções criminais da comarca de Avaré, Alice Galhamo Pereira da Silva, concedeu aoutorização judicial para que Ruy Gonzalez se submete-se ao exame de tecnologia de voz, o detector de mentiras AVM 6.5 - no interior do estabelecimento prisional. O exame foi realizado no dia 1º de agosto pelo perito em veracidade Mauro J. Nadvorny. Desde fevereiro deste ano, Ruy conquistou o direito do regime semi-aberto, no CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de São Miguel Paulista de onde pode sair para trabalhar em uma construtora na Vila Santa Isabel na Capital, para cumprir sua jornada diária Ruy toma dois onibus para ir e um onibus e um trem para retornar.
Cronologia do caso Banespa -
Sequestro - Em 13 de agosto de 2001, o supervisor da agência Banespa de Guarujá, L.C.S.P. foi sequestrado na Av. Leomil por dois homens e mantido em cárcere privado em sua própria residência, na praia da Enseada. No local também foram mantidos como refèns sua esposa e filho, por aquela noite.
Roubo - As 9 h. do dia 14, um grupo de homens acompanhados pelo supervisor chegaram à agência bancária e subtrairam diversos bens depositados em cofres particulares. A polícia cercou a agência e trocou tiros com os assaltantes, ficando feridos uma policial e um assaltante. Para empreender a fuga o bando se apodera de uma viatura cujas chaves encontravam-se no chão. Para se desfazerem do carro da polícia, o grupo rouba outro carro nas imediações da praia de Pitangueiras, próximo a rua Cubatão. Em fuga os bandidos guiados por telefone por Paulo Gutierrez que estava em visita a seu filho na casa de Ruy, dirigem-se à casa do ex-prefeito (sem saberem qual era seu destino ou quem lá morava). Paulo estava de posse de uma pick up Corsa que seria utilizada por um dos bandidos para travessia da balsa. Como não havia perseguição policial, Paulo convida o grupo a entrar na casa sem o conhecimento do proprietário. A polícia chega, cerca a casa, mata um dos assaltantes em fuga pelo telhado e prende todos. Até esse momento Ruy, a namorada e o genro eram reféns. Na delegacia, depois de muitos telefonemas, incluindo o prefeito da cidade na época, Maurici Mariano, para o delegado Marcos Antonio Couto Perez, Ruy foi indiciado como mentor intelectual do assalto.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
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